sábado, 17 de novembro de 2012
Tudo se desfez
Tudo se desfez e se refez. Fomos separadas e obrigadas a dividir o quarto com pessoas que não conhecíamos. Mas, que no meu caso, acabou se tornando uma amiga de infância em poucos minutos. Os sotaques entregavam de onde vinha cada um daqueles rostos curiosos, mas a pergunta era inevitável: "de onde tu és?". Éramos de todos os cantos do país. Dos mais improváveis, inclusive. Gente que precisou viajar de barco para chegar na terra da garoa. Aquele distanciamento de casa, o isolamento do mundo e a vontade de fazer diferente nos uniu. Nos uniu de uma forma que o tempo nem a distância foram capazes de separar.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Preparação
Há exatos quatro anos atrás eu arrumei as malas. Arrumei as malas para viajar rumo ao desconhecido. Era a primeira viagem sozinha e, até aquele momento, não era exatamente o que podia se chamar de diversão. Eu e uma professora, juntas por três dias inteiros, em meio a muitas pessoas estranhas. Quem eram? De onde vinham? Eram capazes? Onde ficaríamos? Como seriam nossos passeios pela terra da garoa? Na mala eu coloquei muitas roupas que eu não usei. Levei junto curiosidade e medo, expectativa e o desejo de vencer. Quando chegamos lá, tudo se desfez.
sábado, 3 de novembro de 2012
Despedida
Na última noite em que passaram juntos, depois da festa, o grupo subiu pelas escadas, como havia feito nos últimos dias. Eles não podiam se separar. Na primeira e última vez que tentaram usar o elevador ele cedeu. Não suportou o peso daquelas 16 pessoas. Naquela última noite eles mesmos tinham dificuldades com o próprio peso, que já não era mais apenas físico, era, também, o peso da saudade. Quando chegaram no corredor principal do 2º andar todos se olharam e nenhuma palavra precisou ser dita. Os olhos de todos diziam a mesma coisa: foi muito bom conhecer vocês. Começaram, então, os abraços e os beijos. Os desejos de sucesso e felicidade. Mas, principalmente, o desejo de que um dia todos pudessem se reencontrar de novo e relembrar daqueles dias que foram tão importantes. As duplas se dirigiram para seus quartos, alguns com lágrimas nos olhos.
Aquela foi, possivelmente, a última vez que eles se viram.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Valentin9
Valentin: "Eu sei como as pessoas podiam viver mais".
Eu: "Como?"
Valentin: "Elas têm que ficar em movimento constante. O tempo passa mais devagar quando estamos em movimento".
Eu: "Mas eu acho que quando a gente tá em movimento, fazendo alguma coisa, o tempo passa mais rápido"
Valentin: "É só impressão tua. As pessoas teriam que chegar próximas a velocidade da luz".
Eu: "Como?"
Valentin: "Elas têm que ficar em movimento constante. O tempo passa mais devagar quando estamos em movimento".
Eu: "Mas eu acho que quando a gente tá em movimento, fazendo alguma coisa, o tempo passa mais rápido"
Valentin: "É só impressão tua. As pessoas teriam que chegar próximas a velocidade da luz".
Eu: "Impossível a gente se movimentar na velocidade da luz"
Valentin: "Não é exatamente na velocidade da luz. Na velocidade da luz o tempo para. Eu vi isso no meu livro. Mas o tempo passa mais devagar quando elas estão próximas".
Valentin: "Não é exatamente na velocidade da luz. Na velocidade da luz o tempo para. Eu vi isso no meu livro. Mas o tempo passa mais devagar quando elas estão próximas".
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Valentin8
Valentin - Mãe, vou procurar os nerds da escola e formar um grupo.
Mãe - Pra fazer o que?
Valentin - Pra conversar sobre a origem da vida e os mistérios do mundo.
Mãe - Pra fazer o que?
Valentin - Pra conversar sobre a origem da vida e os mistérios do mundo.
sábado, 27 de outubro de 2012
Sensibilidade
Perguntar a alguém se está tudo bem, só não é mais clichê do que responder que sim, está tudo bem. Já pararam para pensar na importância em que essa simples pergunta deveria ter? Se eu quero saber como você está é por quê, teoricamente, eu me preocupo e quero saber como você se sente. Acontece que as pessoas perguntam "tudo bem?" como se estivessem cumprimentando e muitas vezes nem prestam atenção na resposta. Ouvir para quê, se sempre dizemos que está tudo certo?
Muitas vezes respondi, com um sorriso no rosto, que estava tudo ótimo e, na verdade, as coisas não iam nada bem. Em uma dessas ocasiões a pessoa olhou para mim e disse: "Tu não me enganas. Tu não estás nada bem". Nesse dia essa pessoa viu o que meus amigos mais próximos não viam. Nesse dia eu percebi que essa é uma da pessoas mais sensíveis que eu conheço.
Futuro e passado
"Vocês são almas gêmeas, menina bonita". Foi o que ela me disse quando eu respondi qual era o teu nome. Eu sorri. Uma reação de espanto e incredulidade. Mas nós somos tão diferentes, eu pensei. Só esqueci que semelhança não é critério. Ela me disse, também, que estou enganada a teu respeito. Disse que tu usas uma máscara, não para ser falso e enganar as pessoas, mas para se proteger. Ouvi, ainda, que estou preocupada com o presente e com o futuro. Tu estás preso ao passado. Pensei que fosse o contrário, hoje percebo que não. Se eu acredito que somos almas gêmeas? Talvez eu acredite nisso no dia em que nós dois estivermos no presente, e não um no futuro e outro no passado.
Assinar:
Postagens (Atom)