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domingo, 9 de junho de 2013

Super-herói

Da noite para o dia ele teve a certeza que era um super-herói. Afirmava que o planeta corria risco de não existir mais, que as pessoas passariam por um grande sofrimento. Dizia que o mal estava prestes a vencer o bem e que ele era o único que poderia fazer algo para mudar. O super-herói ficava aflito, chorava. Deixou de fazer coisas que gostava por medo que aquilo fosse desencadear uma batalha entre o bem e o mal. Não era sonho, nem ficção. Também não era realidade. Ninguém sabia do que se tratava. A única certeza era que o super-herói era uma criança. Uma criança que queria salvar o mundo.

sábado, 8 de junho de 2013

Visitas

Gosto de visitar o passado. Com frequência. É uma visita diferente, não preciso bater na porta nem anunciar a minha chegada. Tenho a chave. Pego ela e abro a porta lentamente, espio para dentro e tento algo diferente. Algo que eu não tenha notado nas outras visitas. Ir até o passado é buscar repostas para o presente e, frequentemente, não achá-las. Ou talvez achá-las logo, bem ali, atrás daquela frase dita. Ás vezes as repostas ficam muito bem escondidas no passado e é difícil achar. É preciso procurar bem, talvez elas esteja embaixo de algum sorriso ou lágrima. É provável que esteja escondidinha, lá atrás daquela escolha.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Desisti


Pela milionésima vez, hoje, desisti de ti. Não vou mais insistir em algo que não existe. Não quero os restos do teu precioso tempo. Quero poder passar horas jogando conversa fora, falar bobagem e não sobre os aspectos político-sociológicos da humanidade. Já vi esse filme. Vi tu simplesmente, da noite para o dia, parar de falar com alguém. A história se repete? Não sei.

Pela milionésima vez, hoje, desisti de ti. Amanhã, pela milionésima vez vou esquecer que desisti.

domingo, 19 de maio de 2013

O porquê

Um dia vou entender o que aconteceu com nós três. O que fez com que nos aproximássemos tanto, com que nos amássemos tanto. Vou compreender o porquê de tanta familiaridade, apesar de todos os pesares. Um dia vou entender o porquê de toda aquela necessidade de expor nossos sentimentos para o mundo, o que inclui uma certa revista de circulação nacional. Procuro entender, também, de onde tirávamos tanto tempo para conversar sobre o nada, sobre bobagens ou sobre a sociedade hipócrita em que vivemos. Talvez um dia eu entenda a necessidade de estarmos perto um dos outros, mesmo esse perto sendo bem relativo. Mas tem algo que, talvez, eu já entenda: a falta de assunto de hoje, a falta de familiaridade, o distanciamento (que fisicamente sempre existiu), quiçá a indiferença. E quando chegamos aqui, meus amigos, corremos um sério risco. A indiferença. Ela destrói aquilo que existiu um dia. Se isso vai acontecer? Aí vai depender do ponto de vista do articulista, o qual vocês conhecem melhor do que eu.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Um perna de pau



Nunca vi ele jogando futebol. Mas já vi ele construindo suas pernas de pau e depois usando-as, nos seus bem vividos 75 anos. Não o conheci jovem, e sim correndo até o portão para me pegar no colo. Deixei de chupar bico em troca de uma boneca que ele me deu. Aprendi a jogar cartas, aprendi a me divertir, aprendi a tolerar. Tudo com ele. Vi ele no hospital, mais de uma vez e, depois, usando as pernas de pau. Vi ele carregando sua bolsa de viagem na rodoviária, embarcar no ônibus e ir para o sítio. Vi ele abatido, desanimado. Vi ele perder sangue, o estômago - todo o estômago. Vi ele perder muito peso. Agora eu vejo ele sentindo fome, e isso é tão bom. Vejo ele levantando de madrugada para comer. Vejo ele voltando a pegar a bolsa de viagem, embarcando no ônibus e retomando a vida. Aos 80 anos, depois de perder mais de 20 quilos, vejo ele voltando a viver.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Na geladeira

Lembranças são lembranças. Não precisam de lugar físico, como uma foto, para existirem. Mas hoje lembrei dela, ao ver uma foto no facebook. Lembrei dos poucos momentos que tivemos e do prazer de conhecê-la antes que ela partisse. Apesar de lembranças não precisarem de lugar, essa tem. E tá na minha geladeira. Ou melhor, na porta da minha geladeira. Toda vez que eu paro na frente e vejo aquela boneca de pano, com um vestido verde e cabelos vermelhos eu lembro dela. Da força e da sensibilidade. Lembro de um tempo que não deveria ter passado.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Tempo

Nunca vou aceitar o que o tempo faz com a gente. E isso nada tem a ver com envelhecer e todos os seus aspectos. Eu nunca vou aceitar o fato de o tempo nos separar de pessoas e lugares.